A Política Monetária


Como visto, toda vez que a oferta de meios de pagamento cresce acima do PIB, há um aumento na taxa de crescimento do nível geral de preços. Foi visto também que agentes econômicos descentralizados, dotados de alguma racionalidade e necessidades ilimitadas, escolhem diariamente o uso de recursos escassos entre fins alternativos. Tais decisões são facilitadas com o uso do que conhecemos por moeda. A moeda é definida pelas suas funções, que são: (i) servir de meio de troca; (ii) unidade de conta; (iii) reserva de valor.

Em termos contemporâneos, a moeda de uma economia consiste na totalidade de ativos possuídos pelo público que pode ser utilizada a qualquer momento para a liquidação de qualquer compromisso futuro ou à vista.

Ao considerar a moeda de uma economia como um todo, devemos fazer uso do conceito de agregados monetários. Para chegar a eles, vamos considerar a emissão de 100 unidades monetárias por um Banco Central qualquer. A partir disso, segue que:

  • PME = Papel Moeda Emitido - 100

  • Retenção pelo Banco Central - (20)

  • PMC = Papel Moeda em Circulação - 80

  • Em poder dos Bancos Comerciais (BCs) - (25)

  • PMPP = Papel Moeda em Poder do Público - 55

  • DVBC = Depósito à Vista nos BCs - 50

  • M1 = Meios de Pagamento - 105

O chamado M1, nesse contexto, a soma entre depósitos à vista nos bancos comerciais com o papel moeda em poder do público, será o agregado monetário principal. Nele, por suposto, já há uma interessante função do sistema bancário: o de servir também como criador de moeda. Isto porque, dada uma quantidade de reservas próprias disponíveis nos bancos comerciais, apenas uma pequena parte dela sera utilizada para fazer frente à necessidade de papel moeda dos agentes. Desse modo, os bancos comerciais podem literalmente multiplicar essas reservas, fornecendo empréstimos a outros agentes, mas registrando esses empréstimos como depósitos à vista. Assim, o M1 será sempre maior do que o papel inicialmente emitido pelo Banco Central.

A partir do M1 são construídos os demais agregados monetários, com base em depósitos a prazo, títulos privados e títulos públicos. Abaixo um resumo:

  • Base Monetária = PMPP + Reservas Bancárias

  • M1 = PMPP + DVBC

  • M2 = M1 + Depósitos a Prazo + Títulos Públicos Federais

  • M3 = M2 + Depósitos de Poupança

  • M4 = M3 + Títulos Privados

Os agregados monetários são importantes para definir a capacidade de demanda dos agentes por bens e serviços. Para tal, é fundamental destacar o conceito de liquidez:

  • de um ativo = é a capacidade de se converter em moeda no curto prazo sem perda;

  • da economia = é a relação entre a disponibilidade de moeda e a necessidade das transações mercantis e financeiras do país.

Quanto mais organizado, portanto, for o sistema financeiro de um país, mais rápido e com a menor perda possível será possível converter um depósito a prazo ou título de renda fixa, por exemplo, em moeda, para liquidar obrigações.


O Banco Central e a operacionalização da política monetária


O Banco Central é a autoridade incubida de garantir a liquidez da economia, isto é, manter razoavelmente estável a relação entre disponibilidade de moeda e a necessidade das transações mercantis e financeiras do país. Em termos um pouco mais gerais, cabe aos Bancos Centrais:

  • Servir de emissor de papel moeda e controlador de liquidez;

  • Ser o Banqueiro dos Bancos (emprestador de última instância);

  • Regular o Sistema Monetário e Financeiro;

  • Ser o Depositário de reservas internacionais.

Para isso, o Banco Central dispõe de alguns instrumentos, entre os quais as operações de mercado aberto, os depósitos compulsórios e a taxa de redesconto. No primeiro são processadas operações de compra e venda de títulos públicos, com o intuito de marcar posição no mercado de reservas bancárias, definindo assim a taxa de juros de curto prazo. Com o segundo, o Banco Central interfe diretamente nas reservas dos bancos comerciais, disponibilizando mais ou menos recursos para que os mesmos possam fazer suas operações regulares. Por fim, com as taxas de redesconto, o Banco Central pune aquelas instituições que precisam de recursos para honrar seus compromissados em determinado período do tempo.


O Comitê de Política Monetária (COPOM)


O Comitê de Política Monetária do Banco Central é o responsável por definir a meta a ser perseguida para a taxa básica de juros no país. Instituído em 20 de junho de 1996, reune-se periodicamente para avaliar o comportamento da liquidez da economia e a estabilidade do sistema financeiro.

Desde a publicação do decreto 3.088, de 21 de junho de 1999, o COPOM segue - ou deveria seguir - a sistemática instituída pelo regime de metas para inflação. Neste, o Banco Central calibra a taxa básica de juros em função do que ocorre com a taxa de crescimento do nível geral de preços. Assim, pressões inflacionárias devem ser combatidas com aumentos de taxa de juros e deflações, com reduções.


O mercado de reservas bancárias


Destina-se à negociação das reservas bancárias entre os bancos, e entre estes e o Banco Central. É o espaço institucional onde o Banco Central executa a Política Monetária. É dividido em:

  • Mercado Primário: Banco Central e Bancos Comerciais, onde ocorre criação (vende títulos) ou destruição de moeda (compra títulos);

  • Mercado Secundário: Onde ocorrem transações interbancárias, que resultam em uma permuta de reservas entre os bancos.

Assim como pessoas físicas mantêm depósitos à vista, os bancos também possuem contas correntes no Banco Central, através das quais recebem débitos e créditos das demais instituições financeiras, do Tesouro Nacional e do próprio Banco Central. Em outras palavras, é por este tipo de conta que bancos realizam operações entre si e com o BACEN. A cada dia, haverá um conjunto de bancos que possui um saldo líquido das entradas e saídas positivo e outro grupo que apresenta saldo negativo. A priori, os saldos positivos e negativos dos bancos são zerados de modo natural através de transações interbancárias.

O Banco Central atua diariamente no mercado de reservas de modo a acomodar a demanda dos bancos, matendo assim estável a taxa básica de juros. Para isso, ele realiza uma previsão dos fatores que levam a uma variação autônoma de reservas para guiar suas ações neutralizadoras e compensadoras diante dos movimentos das reservas, seja injetando ou retirando liquidez do mercado. O pressuposto é de que existe um nível de reservas bancárias que garante a estabilidade da taxa de juros e é este nível que deve ser perseguido pelas ações compensatórias.

Cabe ao Banco Central também sinalizar para o mercado os rumos da política monetária, buscando influenciar a estrutura a termo da taxa de juros da economia por meio da variável operacional básica, a taxa de juros de curto prazo. Isto porque, essa taxa é específica ao mercado de reservas bancárias. As taxas que de fato importam para consumidores e investidores são aquelas de mais longo prazo. Dessa forma, uma correta sinalização do que irá ocorrer com a taxa de curto prazo irá repercutir pelas taxas de diferentes prazos, influenciando assim decisões de consumo e investimento, de acordo com os planos iniciais da autoridade monetária.


O Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC)


O Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) opera com títulos públicos do Banco Central e do Tesouro Nacional. É um grande computador que tem por finalidade controlar e liquidar financeiramente as operações de compra e de venda de títulos públicos e manter sua custódia física e escritural. Os vários negócios com esses títulos são acertados diretamente entre os operadores das instituições financeiras credenciadas a operar no mercado monetário, que repassam as informações, via terminal, ao SELIC, para que ocorra a transferência do dinheiro e, a seguir, dos títulos.

A Taxa Selic é definida como “a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais. Para fins de cálculo da taxa, são considerados os financiamentos diários relativos às operações registradas e liquidadas no próprio Selic e em sistemas operados por câmaras ou prestadores de serviços de compensação e de liquidação”.


Controle de Liquidez


Ajustes compensatórios feitos através do departamento de Open Market do BACEN:

  • Operações Compromissadas - consistem na compra e venda de títulos públicos em que o vendedor se compromete a recomprar o título a um preço acordado e em uma data especificada do comprador;

  • Leilões informais - podem ser tanto de títulos quanto de dinheiro, sendo este mais frequente. Nos leilões de dinheiro, o BACEN oferta dinheiro exigindo como garantia títulos, comprometendo-se a instituição a recomprar o título normalmente no day after. Já nos leilões de título, as operações são definitivas, isto é, o BACEN vende títulos e não há garantia de recompra futura.

  • Leilões Formais - caracterizam-se por serem anunciados com antecedência se comparado aos informais, bem como por serem sempre operações definitivas e também serem sempre operações de venda de papéis.


A formação da taxa básica de juros no Brasil


A taxa de juros fixada na reunião do COPOM é a meta para a Taxa Selic (taxa média dos financiamentos diários, com lastro em títulos federais, apurados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia), a qual vigora por todo o período entre reuniões ordinárias do Comitê.

A taxa de juros de curto prazo, a taxa básica da economia, representa o custo do dinheiro no curto prazo. Isto é, o custo incorrido pelos bancos ao demandar reservas ao BACEN. Ela será dada, assim, pelo confronto entre oferta de reservas, definida pelas atuações do Banco Central nas operações compromissadas e definitivas e o saldo do fluxo de entrada e saída de dinheiro para e do sistema bancário, com a demanda por reservas dessas instituições, definida pelas suas necessidades de atender as exibilidades compulsórias e seus compromissos com o setor não monetário da economia.

O Banco Central atua sinalizando para as instituições quais serão as condições vigentes no mercado de reservas de acordo com uma meta para a taxa de juros de curto prazo (meta operacional), a partir do fato de que o Banco Central é um ofertante monopolista no mercado de reservas.

Como dito anteriormente, apesar de ser monopolista, o Banco Central tem que levar em conta os desejos e expectativas dos bancos. Isto porque:

  • A determinação dos juros não pode ser feita sem considerar a solvência dos bancos (agravar as condições de liquidez);

  • Suas operações têm base na persuação (os bancos quando tomam decisões de compra de títulos estão apoiados em uma expectativa quanto à evolução futura da taxa básica).

Uma vez definida a taxa básica de juros, ela se propaga pelo organismo econômico por meio de diferentes canais, como pode ser visto abaixo, até afetar a taxa de crescimento do nível geral de preços.

Os principais canais de transmissão são:

  • Consumo e investimento: as decisões da taxa de juros básica mudam as taxas de juros reais, o que pode levar à mudanças nas decisões de investimento e consumo por empresas e famílias. Se a autoridade monetária fizer um corte nos juros, por exemplo, a demanda agregada da economia tende a se aquecer, o que contribui para a elevação de preços.

  • Canal do crédito: ao cortar juros o Banco Central estimula que as demais taxas praticadas no mercado de crédito bancário também caiam, o que pode impulsionar a tomada de crédito por empresas e famílias, incentivando o consumo e investimento.

  • Expectativas: se a autoridade monetária possui credibilidade, mudanças na taxa básica de juros também alteram o que se espera para o presente e o futuro da dinâmica da economia. Ao cortar juros o Banco Central sinaliza que a demanda agregada pode se aquecer, o que leva a elevação de preços. Dessa forma, empresas e famílias tendem a esperar que a economia encare pressões inflacionárias no futuro. Por consequência, os preços presentes da economia tenderão a sofrer reajustes maiores pois os agentes se antecipam e reagem, por hipótese, ao conjunto de informações disponíveis no presente e às expectativas formadas quanto ao futuro.

Há outros canais relevantes, como o do câmbio e da riqueza,


Figura 1: Mecanismo de Transmissão da Politica Monetária


Figura 2: Mecanismo de Transmissão da Politica Monetária


A condução da política monetária


Como dito, a política monetária é expansionista ou contracionista se, respectivamente, o juro real estiver abaixo ou acima da taxa de juros neutra. Taxa de juros neutra é aquela consistente com a estabilidade da taxa de inflação ao longo do tempo. Variável não observável, que deve ser estimada e que depende de diversos fatores. Nesses termos, cabe ao Banco Central manter a taxa de juros real próxima da taxa de juros neutra, se o objetivo é controlar a inflação.

Pela equação de Fisher, sabe-se que

\[ i = r + \pi \tag{1} \] onde, \(i\) é a taxa de juros nominal, \(r\) é a taxa de juros real e \(\pi\) é a taxa de inflação. Rearranjando os termos, define-se o juro real ex-post como:

\[ r = i - \pi \tag{2} \] Para tornar a análise ex-ante, deve-se substituir \(\pi\) pela expectativa de inflação, isto é, \(\pi^{e}\), de modo que o juro real ex-ante será dado por:

\[ r = i - \pi^{e} \tag{3} \]

Em outras palavras, o juro real será dado, de forma aproximada, pela diferença entre o juro nominal e a expectativa de inflação. Essa é, em geral, a forma como o mercado calcula a taxa de juros real no país.


Figura 3: Juro Real x Juro Neutro


A relação entre as taxas de juros e a inflação é geralmente inversa: quando a inflação está alta, o Banco Central tende a aumentar as taxas de juros para desacelerar a economia e conter a inflação. Por outro lado, quando a inflação está baixa, o Banco Central pode reduzir as taxas de juros para estimular o consumo e o investimento, e assim estimular o crescimento econômico.

A lógica por trás dessa relação é que quando as taxas de juros estão altas, os empréstimos e o crédito se tornam mais caros, o que desestimula o consumo e o investimento. Com menos dinheiro circulando na economia, a inflação tende a desacelerar. Já quando as taxas de juros estão baixas, o crédito fica mais acessível e barato, o que estimula o consumo e o investimento, fazendo a economia crescer.


library(magrittr)

# Coleta e tratamento de dados
selic_ipca <- GetBCBData::gbcbd_get_series(
  id          = c("IPCA em 12 meses" = "13522", "Taxa SELIC" = "4189"),
  first.date  = "1999-08-01", 
  use.memoise = FALSE
) %>% 
  dplyr::as_tibble() %>% 
  dplyr::select(
    "date"     = ref.date, 
    "variable" = series.name, 
    value
  )

# Gráfico com o ggplot2
selic_ipca %>% 
  ggplot2::ggplot(ggplot2::aes(x = date, y = value, colour = variable)) +
  ggplot2::geom_line(size = 1) +
  ggplot2::labs(title = "Inflação vs. Taxa de Juros - Selic",
                x = "",
                y = "% a.a.",
                caption = "Dados: SGS/BCB | Elaborado por: analisemacro.com.br") +
  ggplot2::scale_colour_manual(values = c(
             "#282f6b", # blue
             "#b22200" # red
  )) +
  ggplot2::facet_wrap(~variable, nrow = 2, scales = "free_y") +
  ggplot2::theme_minimal()+
  ggplot2::theme(legend.position = "none")


O gráfico das Selic e IPCA no período de agosto de 1998 até janeiro de 2023, mostra que as duas andam de forma conjunta ao longo do tempo, isto é, no período que a Selic eleva-se o IPCA também, e vice-versa.

O entendimento é de que, a Selic é um importante mecanismo de política monetária do Banco Central para controlar a inflação do país, de acordo com a meta de inflação no horizonte analisado, ou seja, o BC de forma geral, avalia o IPCA de forma prospectiva para tomar as decisões de aumento ou diminuição da Meta Selic, pois o efeito prático da transmissão da Taxa de juros tem uma certa demora para afetar o IPCA, portanto, é necessário identificar o efeito das defasagens da Selic em relação ao IPCA.


Construindo um Modelo de Previsão para a Taxa Selic


Os dados aqui utilizados são obtidos no site do Banco Central e se referem a Taxa Selic (Meta Selic definida pelo Copom (% a.a.) cuja fonte é a SGS/BCB); o Hiato da inflação Desvio da expectativa do IPCA um ano à frente em relação a meta no mesmo horizonte Focus/BCB e CMN Hiato do produto Estimativa do Banco Central em seu modelo bayesiano RI/BCB

library(fabletools)
# Dados completos
dados_modelos <- dados |>
  tidyr::drop_na()

# Semente de reprodução
set.seed(1984)

# Estima auto ARIMA
fit_arima <- dados_modelos |>
  fabletools::model(
    auto_arima = fable::ARIMA(selic)
  )

# Previsão
forecast_arima <- fit_arima |>
  fabletools::forecast(h = 8)

# Gerar visualização
fabletools::autoplot(dados) +
   fabletools::autolayer(forecast_arima, selic)

forecast_arima


A Política Fiscal


Para analisar a capacidade dos governos de interferir no ambiente econômico, é preciso analisar o conjunto de instrumentos fiscais. Tanto pelo lado da despesa (consumo, investimentos, subsídios e transferências) quanto pelo lado da receita (impostos diretos e indiretos), os governo dispõem de mecanismos para interferir no organismo econômico.

Em termos agregados, pode-se inferir que a diferença líquida entre o que os governos gastam e o que eles arrecadam tem impacto sobre a demanda por bens e serviços na economia. Contudo, os custos e benefícios diferem bastante, a depender do tipo de instrumento utilizado. Um aumento de consumo, por exemplo, terá efeito limitado ao curto prazo, exercendo pressão de demanda sobre o organismo econômico. Já um aumento do investimento público aumenta a demanda no curto prazo, mas ao expandir a capacidade produtiva, também terá efeitos de médio e longo prazo.

Por representar um conjunto mais amplo de instrumentos e opções do que a política monetária, compreender a política fiscal é mais complexo e um tanto quanto mais tortuoso, à medida que os dados nem sempre estão disponíveis com a mesma transparência e rapidez.

A justificativa teórica para utilização de instrumentos fiscais está no que a literatura chama de falhas de mercado. Economias de mercado, governadas pelo mecanismo de preço, estão sujeitas a inúmeras imperfeições, entre as quais:

  • Bens Públicos

  • Externalidades

  • Mercados Imperfeitos

  • Incerteza na oferta de bens e serviços

  • Assimetrias de Informação

Cada uma dessas falhas justifica a intervenção do Estado na economia, seja através de regulação ou mesmo provisão direta de bens.

A política fiscal possui três funções clássicas, a saber:

  • a função alocativa;

  • a função estabilizadora;

  • a função distributiva.

Na primeira, ela atua na provisão de bens públicos, aqueles onde não vale o princípio da exclusão e o custo marginal é igual a zero.

Na segunda, cabe à política fiscal atuar anticiclicamente, minimizando assim recessões econômicas.

Já na terceira, cabe à política fiscal servir como fonte de redistribuição de renda.

A operacionalização dessas funções passa pelo orçamento público, dividido em despesas e receitas. No lado das receitas estão basicamente os impostos cobrados dos cidadãos, enquanto as despesas podem ser divididas em correntes e de investimento. O manuseio dos mais diversos tipos de instrumentos contidos nessas grandes categorias constitue assim a forma como os diferentes governos provêm bens públicos, atuam sobre o ciclo econômico e/ou transferem renda.

Governos possuem três formas de se financiar:

  • via impostos;

  • emitindo títulos públicos;

  • emitindo moeda.

Cada uma dessas formas gera custos para a sociedade, tendo de ser cuidadosamente avaliadas ex-ante. O aumento de impostos, por exemplo, prejudica a competitividade do país em relação ao resto do mundo. A emissão de títulos públicos retira recursos da iniciativa privada que poderiam ser aplicados em projetos de investimento. A emissão monetária para fins de financiamento público, por fim, gera inflação. Desse modo, a sustentabilidade da política fiscal passa, necessariamente, por calibrar seus gastos à capacidade de financiamento, gerando o menor ônus possível para a sociedade.

Em termos mais amplos, a solvência de um determinado governo deve ser avaliado com base em alguns critérios: (i) existência de déficits primários sistemáticos; (ii) moeda no qual a dívida é emitida; (iii) taxas de juros flutuantes; (iv) maturidade da dívida; (v) base de investidores (domésticos ou externos).

A literatura mais recente sobre o assunto tem recomendado que a política fiscal deve ser equilibrada em tempos de paz e ativa em momentos de hiato do produto excessivamente negativo.


Análise em Tabelas

Os dados estão em R$ Milhões - Valores deflacionados.


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Obs: RFB (Receita Federal do Brasil) compreende Imposto de Importação, IPI, Imposto de Renda, IOF, Cofins, PIS/Pasep, CSLL, CPMF, CIDE Combustíveis, Outras Receitas Administradas pela RFB.

Receita Não RFB compreende, Concessões e Permissões, Dividendos e Participações, Contr. Plano de Seguridade Social do Servidor, Receitas de Exploração de Recursos Naturais, Receitas Próprias (fontes 50, 81 e 82), Contribuição do, Salário Educação, Complemento para o FGTS (LC nº 110/01), Demais Receitas Não Administradas pela RFB.

Despesas discricionárias são aquelas ligadas a serviços públicos, mas sobre as quais o Governo pode decidir como e quanto gastar.

A Receita Líquida é a Receita Total menos as Transferências.

O Resultado primário é a diferença entre a Receita Liquida e a Despesa Total.


Tabela dados acumulados em 12 meses


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Tabela dados como percentual do PIB


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              list(list(className = 'dt-center', targets = "_all"))))


Análise Gráfica


Governo Central é constituído pelo Tesouro Nacional, pela Previdência Social e pelo Banco Central.


Percentual do PIB



Resultado Primário



Gastos e Receitas da Previdencia Social



Necessidade de Financiamento do Setor Público (NFSP)


Necessidade de Financiamento do Setor Público (NFSP) no conceito primário é a diferença entre as receitas e despesas do setor público com exceção dos gastos com juros.

No conceito nominal é o resultado primário menos o pagamento de juros nominais.

As Necessidades de Financiamento do Setor Público incluem o Governo Federal (Tesouro Nacional e Sistema de Previdência Social), os governos estaduais e municipais, as empresas estatais das três esferas de governo (exceto Petrobras e Eletrobras) e o Banco Central do Brasil.

Resultado nominal: corresponde à variação nominal dos saldos da dívida líquida, deduzidos os ajustes patrimoniais e metodológicos efetuados no período. Abrange o componente de atualização monetária da dívida, os juros reais e o resultado fiscal primário.

Juros nominais: refere-se ao fluxo de juros, apropriados por competência, incidentes sobre a dívida interna e externa. Engloba os juros reais e o componente de atualização monetária da dívida. Corresponde ao componente financeiro do resultado fiscal. Exclui o impacto da variação cambial sobre a dívida externa e sobre a dívida mobiliária interna indexada ao dólar.

Resultado primário: é o componente não-financeiro do resultado fiscal do setor público. Corresponde ao resultado nominal menos os juros nominais apropriados por competência, incidentes sobre a dívida.

Para esta análise serão usadas as séries:

  • 7853 (NFSP - Fluxo mensal corrente - Resultado primário - Total - Governo Federal sem INSS);

  • 7854 (NFSP - Fluxo mensal corrente - Resultado primário - Total - INSS)

  • 4643 (NFSP sem desvalorização cambial - Fluxo mensal corrente - Resultado primário - Total - Governos estaduais)

  • 4644 (NFSP sem desvalorização cambial - Fluxo mensal corrente - Resultado primário - Total - Governos municipais)

  • 4645 (NFSP sem desvalorização cambial - Fluxo mensal corrente - Resultado primário - Total - Empresas estatais)

  • 4649 (NFSP sem desvalorização cambial - Fluxo mensal corrente - Resultado primário - Total - Setor público consolidado)

  • 4607 (NFSP sem desvalorização cambial - Fluxo mensal corrente - Juros nominais - Total - Governo Federal)

  • 4608 (NFSP sem desvalorização cambial - Fluxo mensal corrente - Juros nominais - Total - Banco Central)

  • 4610 (NFSP sem desvalorização cambial - Fluxo mensal corrente - Juros nominais - Total - Governos estaduais)

  • 4611 (NFSP sem desvalorização cambial - Fluxo mensal corrente - Juros nominais - Total - Governos municipais)

  • 4612 (NFSP sem desvalorização cambial - Fluxo mensal corrente - Juros nominais - Total - Empresas estatais)

  • 4616 (NFSP sem desvalorização cambial - Fluxo mensal corrente - Juros nominais - Total - Setor público consolidado)

  • 4574 (NFSP sem desvalorização cambial - Fluxo mensal corrente - Resultado nominal - Total - Governo Federal)

  • 4575 (NFSP sem desvalorização cambial - Fluxo mensal corrente - Resultado nominal - Total - Banco Central)

  • 4577 (NFSP sem desvalorização cambial - Fluxo mensal corrente - Resultado nominal - Total - Governos estaduais)

  • 4578 (NFSP sem desvalorização cambial - Fluxo mensal corrente - Resultado nominal - Total - Governos municipais)

  • 4579 (NFSP sem desvalorização cambial - Fluxo mensal corrente - Resultado nominal - Total - Empresas estatais)

  • 4583 (NFSP sem desvalorização cambial - Fluxo mensal corrente - Resultado nominal - Total - Setor público consolidado) disponíveis no Banco Central.

São 18 séries, as seis primeiras são o resultado primário, seis de juros e e seis sobre o resultado nominal.


NFSP Resultado Primário Acumulado 12 meses em % do PIB


dates <- seq(as.Date('2002-11-01'), as.Date('2023-01-01'), by='1 month')
gtsplot(ppib3[,1:6], dates=dates)
NFSP Resultado Primário Acumulado 12 meses em % do PIB

NFSP Resultado Primário Acumulado 12 meses em % do PIB


NFSP Juros Acumulado 12 meses em % do PIB


dates <- seq(as.Date('2002-11-01'), as.Date('2023-01-01'), by='1 month')
gtsplot(ppib3[,7:12], dates=dates)
NFSP Juros Acumulado 12 meses em % do PIB

NFSP Juros Acumulado 12 meses em % do PIB


NFSP Resultado Nominal Acumulado 12 meses em % do PIB


dates <- seq(as.Date('2002-11-01'), as.Date('2023-01-01'), by='1 month')
gtsplot(ppib3[,13:18], dates=dates)
NFSP Resultado Nominal Acumulado 12 meses em % do PIB

NFSP Resultado Nominal Acumulado 12 meses em % do PIB


Endividamento do Governo

Os dados de endividamento do Governo podem ser obtidos no link “https://www.bcb.gov.br/content/estatisticas/Documents/Tabelas_especiais/Divggnp.xlsx”.

As variáveis consideradas são Dívida líquida do setor público (A= B+K+L), Dívida líquida do governo geral(B=C+F+I+J), Dívida bruta do governo geral(C=D+E), Dívida interna (D), Dívida externa (E), Créditos do governo geral (F=G+H), Créditos internos (G), Créditos externos (H), Títulos livres na carteira do Bacen (I), Equalização Cambial (J), Dívida líquida do Banco Central (K) e Dívida líquida das empresas estatais (L).


Tabela da Evolução do Endividamento Público (% do PIB)


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            dom = 't',
            columnDefs = 
              list(list(className = 'dt-center', targets = "_all"))))


Gráfico da Evolução do Endividamento Público (% do PIB)


dates <- seq(as.Date('2006-12-01'), as.Date('2023-01-01'), by='1 month')
gtsplot(componentes2, dates=dates)
 Evolução do Endividamento Público (% do PIB)

Evolução do Endividamento Público (% do PIB)


Uma análise ampla da política fiscal deve envolver o conhecimento da lei de responsabilidade fiscal (lei complementar 101 de 4 de maio de 2000), bem como o processo de elaboração dos orçamentos nos três níveis de governo. Isso passa por conhecer os planos plurianuais, as leis de diretrizes orçamentárias e, também, a a lei orçamentária anual. Ademais, é preciso acompanhar a execução orçamentária por meio dos relatórios regulares, pré-definidos na LRF, que devem ser necessariamente publicados pelos governos.

Tudo o que foi mostrado foram dados reais de despesa e receita que viram em algum momento estoque de endividamento.